Inteligência artificial
Sua IA funciona na demonstração. E no dia a dia?
Veja como avaliar uma aplicação de IA com situações reais, medir o esforço de correção e definir critérios para avançar do piloto à produção.
Uma aplicação de IA responde bem às perguntas da apresentação. O texto é claro, as respostas chegam rápido e a equipe consegue imaginar onde usá-la.
Na rotina, aparecem perguntas incompletas, documentos desatualizados, exceções e situações que ninguém colocou na demonstração. É nesse ambiente que a empresa precisa descobrir se o sistema ajuda a concluir o trabalho com qualidade.
Para decidir se um piloto pode avançar, vale transformar a impressão de que “funciona bem” em critérios que possam ser verificados.
Comece pelo trabalho que a aplicação precisa entregar
Considere um exemplo hipotético: um assistente que prepara rascunhos de respostas para uma equipe de atendimento. Ele consulta procedimentos internos, sugere uma orientação e deixa a decisão de envio com o analista.
O resultado esperado inclui localizar a regra correta, preservar exceções, indicar a fonte e reconhecer quando falta informação. Uma resposta bem escrita pode falhar em qualquer um desses pontos.
Defina a tarefa, os usuários, os dados disponíveis e os limites de uso. Registre também o que a aplicação deve fazer diante de uma pergunta fora do escopo.
O AI Risk Management Framework do NIST recomenda avaliar sistemas em condições semelhantes às de implantação e documentar seus limites. A qualidade precisa ser julgada no contexto em que a empresa pretende usar a aplicação.
Monte um conjunto de avaliação com situações da rotina
Reúna perguntas e casos que representem o trabalho. Use registros que a empresa esteja autorizada a utilizar, removendo ou substituindo dados sensíveis quando necessário.
Inclua situações frequentes e casos menos comuns com consequências importantes. Uma amostra formada apenas pelas perguntas fáceis pode esconder falhas que aparecem justamente nas exceções.
No exemplo do atendimento, o conjunto poderia conter:
| Situação | Resultado esperado |
|---|---|
| Política com regra explícita | Aplicar a regra e indicar a fonte pertinente. |
| Regra com exceção | Considerar a condição que modifica a orientação. |
| Pergunta sem informação suficiente | Pedir o dado necessário antes de concluir. |
| Documentos conflitantes | Sinalizar a divergência e encaminhar a consulta. |
| Conteúdo fora do acesso do analista | Preservar a restrição de acesso. |
| Ausência de base para responder | Informar a limitação, sem inventar uma orientação. |
Esses resultados precisam ser revisados por quem conhece o processo. Não basta usar outra IA para gerar perguntas e aceitar automaticamente suas respostas como referência.
Separe casos usados para ajustar o sistema de casos reservados para avaliação. Se as instruções forem adaptadas repetidamente aos mesmos exemplos, o resultado pode refletir essa adaptação sem representar o desempenho em perguntas novas.
Defina uma resposta aceitável antes de medir
Para tarefas abertas, podem existir várias respostas corretas. Comparar apenas o texto produzido com uma frase de referência penaliza diferenças de redação e pode deixar passar erros de conteúdo.
Crie critérios objetivos: a orientação está correta? Inclui a exceção aplicável? A referência sustenta a afirmação? A resposta pede esclarecimento quando precisa?
Classifique os erros pelo impacto. Uma frase longa e uma exposição de informação restrita não devem receber o mesmo peso. Observe também a recusa excessiva: um sistema que encaminha todas as consultas para uma pessoa pode evitar algumas respostas erradas, mas entregar pouco benefício.
Registre quais critérios são obrigatórios e quais admitem correção durante a revisão. Isso torna a avaliação mais consistente entre pessoas e ajuda a equipe a decidir o que precisa ser corrigido primeiro.
Use automação com critérios e conferência humana
Algumas verificações podem ser feitas diretamente pelo software: formato de saída, campos obrigatórios, existência de uma referência e autorização para acessar um documento.
Outras exigem avaliar significado e contexto. Um modelo pode auxiliar nessa análise, mas a nota que ele atribui também precisa ser conferida.
O estudo de Zheng e colaboradores sobre modelos usados como avaliadores identifica limitações como preferência por respostas mais longas e influência da posição das alternativas. Uma avaliação automatizada pode ser útil sem funcionar como medida absoluta de correção.
Compare suas avaliações com revisões humanas, especialmente nos casos de maior impacto e quando houver discordância. Mantenha os critérios e a configuração do avaliador registrados para comparar versões.
Em aplicações que consultam documentos, como explicamos no artigo sobre RAG, avalie a busca e a geração separadamente. O artigo sobre Ragas distingue dimensões como relevância do contexto recuperado e fidelidade da resposta a esse contexto. Essa separação ajuda a identificar se a falha começou na busca ou no uso da informação.
Meça o tempo poupado incluindo as correções
O tempo de geração é apenas uma parte do atendimento. O analista ainda precisa ler, conferir a fonte, corrigir o texto e decidir o próximo passo.
Compare o tempo total do processo atual com o tempo do processo assistido, usando casos de dificuldade semelhante. Inclua consultas que falharam e precisaram ser refeitas.
Acompanhe o esforço de correção, a frequência de encaminhamento humano, o custo por tarefa concluída e a gravidade dos erros. Analise resultados por tipo de caso, pois uma média geral pode esconder desempenho ruim em uma categoria importante.
Uma aplicação que economiza tempo nas perguntas comuns e exige revisão extensa nas exceções pode continuar sendo útil. O recorte de uso e as condições de revisão precisam refletir essa diferença.
Defina critérios para avançar e continue avaliando
Antes de ampliar o piloto, estabeleça condições de aprovação: qualidade mínima por categoria, limites de tempo e custo, controles de acesso verificados e um caminho claro para interromper ou encaminhar o atendimento.
Não existe uma porcentagem de acerto que autorize qualquer aplicação a entrar em produção. A decisão depende da tarefa, das consequências do erro e da capacidade de detectar e corrigir falhas.
Uma implantação gradual permite comparar o desempenho com a rotina e recolher problemas que o conjunto inicial não cobriu. A ausência de falhas em uma amostra não prova que o sistema seja seguro em todos os casos.
Repita avaliações após mudanças no modelo, nas instruções, nas fontes ou nas integrações. Como as respostas podem variar entre execuções, casos críticos merecem verificações repetidas. Mantenha versões e condições de teste identificadas para entender o que mudou.
A avaliação passa a fazer parte da operação: novos erros alimentam os testes, e os testes ajudam a decidir quais mudanças podem ser liberadas.
Como a Fidalgo IT Solutions pode ajudar
A Fidalgo IT Solutions pode apoiar a definição dos critérios de qualidade, a montagem de conjuntos de avaliação e a análise de falhas em aplicações de IA.
O trabalho pode incluir comparação entre versões, medição do esforço de revisão e estruturação de um piloto com acompanhamento técnico. O objetivo é verificar onde a aplicação traz ganho concreto e quais condições precisam ser atendidas para ampliar seu uso.
Conheça nossa oferta de Inteligência Artificial para empresas para entender como começar uma avaliação com a sua equipe.
